Marido e eu temos muitas diferenças, mas em certas coisas somos tão iguais que até irrita.

Por exemplo…

Cismei de trocar o armário do quarto, tirar o móvel que serve de apoio pra tv e fazer um novo, instalar um painel atrás da cama ou cabeceira mesmo e fazer um novo criado-mudo (ou criadomudo, whatever). Os móveis do nosso quarto são escuros, antigos, não combinam com nada e achei que merecemos um quarto bacana, afinal desde que nos casamos, salas e escritório foram os únicos cômodos beneficiados com tudo novinho. A cozinha fica como está, porque né, passo pouco tempo por lá. Mas divago. O que eu fiz então? Comentei com marido sobre a minha ideia, assim bem de leve, enfatizando bem o “tô pensando” ao invés do “vou fazer”. A primeira reação dele: “tá louca? cê faz ideia quanto vai custar isso?”. Respondi que não, não faço ideia, mas aceito orçamentos. E deixei quieto. Um dia depois ele disse ok, pega uns orçamentos. Dois dias depois ele pediu pra eu pegar minhas revistas de casa&decor pra ver se tinha alguma ideia boa. Revistas folheadas, ele pega prancheta e já começa a desenhar o novo móvel da tv, discute que cores de madeira ficariam boas, etc etc etc. Agorinha há pouco saiu daqui o marceneiro indicado por alguns parentes.

Outro exemplo, agora do lado dele…

Ele cismou de trocar de carro. Nosso combinado é que só no ano que vem trocaríamos de carro, porque ainda estamos pagando muitas coisas até lá. Mas ele cismou. Minha primeira reação foi lembrá-lo do combinado. Ele deixou quieto. Dia seguinte, ele me pega pra almoçar e sugere: “vamos dar uma passadinha na concessionária?”, eu quis saber pra quê e ele disse que queria só dar uma olhadinha. E eu disse ok, vamos. Sem perceber, eu já tava dentro do carro, fuçando tudo, nossa que legal isso aqui e pra que serve aquilo e puxa vida tem espelhinho no para-sol e tals… Dia seguinte deixei ele fazer as contas e passar na concessionária pra avaliar o carro dele. Dois dias depois eu já tava escolhendo a cor. Hoje já perguntei “e aí, quando sai essa bagaça de carro novo?”.

A gente é assim mesmo. Planta no outro a ideia e dá o tempo que o outro precisa pra comprar essa ideia! E sempre funciona, impressionante. Ok, sempre é exagero, porque quando ele começou a querer ter moto eu cortei de primeira (já tava vendo: fins de semana sozinha, rezando pra ele voltar inteiro), mas no geral ele tem boas ideias. E eu também. Casal perfeito!