Finalmente achei e comprei o livro da Fal Azevedo: Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite.
E aí que lendo os trechos em que a personagem fala do pai, da mãe, das irmãs… eu meiqui me senti um pouco incomodada. É, confesso, esse negócio de família não foi feito pra mim não. Não que haja semelhanças com as narrativas do livro, mas há semelhanças no incômodo, na relação esquisita, no fato de que a gente cresce e envelhece e não consegue superar várias merdas da infância… e se acha maduro. Piada, né?
Ontem mesmo minha cunhada veio me perguntar qual foi a reação dos meus pais com a minha futura mudança*. E aí eu tive que falar, não teve jeito, tive que falar pra ela que eu ainda não havia contado pra eles. Já emendei nas desculpas, que são sinceras e faziam todo o sentido na minha cabeça, mas ainda assim soaram mentirosas e absurdas quando eu falei em voz alta: que eu não queria a encheção de saco de pai e mãe e irmã me perguntando dia sim, dia também, como estavam os preparativos da mudança, se eu já tinha empacotado alguma coisa e, pior, se mamã podia vir ajudar (o horror! o horror!). E né, tive que dizer que o fato de marido ter contado** pra família DELE não me obrigava a contar pra MINHA. Ok que a mudança é bem por minha causa, mas ainda assim eu ajo como se fosse ele que tivesse tomado a decisão. Tudo pra fugir das conversas, das perguntas, da encheção de saco. Sou madura? Aí cunhada entendeu, no fundo entendeu, porque ela sofre com a própria família invasiva dela, só que ela não tem pra onde fugir e fica lá, feliz nas possibilidades dela. Eu fujo e nossa, corro mesmo. Melhor coisa é ter família morando longe. Na verdade eu que passei a morar longe e nem foi intencional, mas só eu sei o quanto isso me fez bem. Pelo visto continuarei longe, mesmo depois da mudança.
E eu mato a saudade da ideia de família quando vou à casa dos meus sogros, eles falam bobagens, dão risadas, enchem o saco dos filhos, eu não me meto e distribuo sorrisos e ajudo a lavar a louça e finjo não perceber o quanto eles são hipócritas e sem noção (fica pra outro post, o assunto super rende). Mas né, eles me recebem bem, me respeitam e não se metem na minha vida, então eu acho ótimo.
Eu tenho saudade dos meus pais, também não sou nenhuma desalmada e sem coração. De verdade eu sinto, tenho carinho e amor por eles. Mas sei que não dou conta da convivência, então podendo evitar, eu evito. É difícil, mas é como uma amiga me disse: é mais fácil quando você admite certas coisas que, aos outros olhos são estranhas, mas são o que são e ponto. Então eu descobri que, embora estranho, é melhor admitir que a convivência com eles é difícil e manter a distância saudável, do que ficar tentando fazer a convivência ser agradável e me foder de com força. Sorry, eu também queria que não fosse assim.
Anyway, eles não admitem, embora no fundo saibam disso, e só fazem as coisas piorarem. Um dia, quando eu amadurecer de verdade, conseguirei dizer a eles um tanto de coisas, conseguirei explicar que amor não é obrigação e tampouco implica em querer estar sempre perto. Mas eu acho que eles também ainda não são maduros o suficiente pra ouvir essas coisas.

* Nos mudaremos, em breve, pra outro estado, outra cidade… vai ser bom, vai ser difícil… vai ver por isso tbm eu recomecei a escrever, porque só marido não tá dando conta da minha ansiedade.
** Marido compartilha bastante com a família dele, acho válido e não me meto. Então ele quis contar da mudança, e isso foi no Natal.