Depois de uns nove meses em casa, quase sem viajar, voltei pra essa vida de hotéis e aeroportos. Devo ficar aqui até a mudança ou até o projeto acabar lá pelo meio do ano, o que acontecer primeiro.

Marido continua em casa, trabalhando, mas sem viajar. E isso ainda não tinha acontecido com a gente, então está até engraçado. Eu chego na sexta, ele me busca no aeroporto, dependendo do horário dá tempo da gente jantar fora, se não vamos direto pra casa. E ele vai tagarelando, contando tudo que ele fez, viu na tv, comeu, etc. Eu fico lá prestando atenção e acho fofo, porque tem horas que ele conta coisas repetidas, que foram comentadas ao longo da semana, mas os detalhes ele me dá ao vivo. Eu não tinha percebido isso de imediato, foi lá pela terceira semana que eu me toquei. E não, eu nem penso em zoar o marido, porque eu acho muito engraçada essa tagarelice e não quero cortar o barato dele.

Mas quando ele começa a contar dos filmes péssimos que ele aproveita pra assistir já que eu não estou em casa, eu quero matar! hahaha! Ele tem uma coisa pra filme ruim… ele não escolhe, mas se ele tá mudando de canal e passa por um filme que tá começando, geralmente ele para e fica vendo qualé. E não importa se o filme é ruim, ele continua assistindo e depois vem me contar. E eu pego no pé dele, digo que ele tem atração por filme ruim e não consegue mexer no controle remoto, como se as mãos deixassem de obedecê-lo… rs… Ele se justifica com essa de que eu não estou em casa, então ele vê qualquer coisa mesmo, e fica pegando no meu pé querendo contar as histórias desses filmes péssimos. Isso tudo em mais ou menos 40 minutos de viagem do aeroporto até em casa, imaginem o meu suplício! rs…

E a saudade, embora incomode durante a semana, até que ajuda de forma geral. A gente fica sim mais atencioso e mais carinhoso no final de semana, porque o tempo é curto e queremos aproveitar mais. A gente até fala disso, porque nos meses que estávamos os dois em casa, algumas picuinhas rolaram sim, naturalmente. Não é porque a gente se dá super bem que não haja momentos de crise. Esse distanciamento físico nos dá a chance de perceber isso e, uma vez mais conscientes do que nos irrita e nos desgasta, a gente consegue se controlar melhor e conversar melhor quando estamos juntos. Mas eu ainda prefiro estar em casa todo dia com ele. Porque os momentos de picuinha são pouquíssimos comparados aos momentos de diversão. Enquanto isso não rola, ele segue vendo filme ruim e eu sigo aqui roxa de saudades.